domingo, 8 de abril de 2018

A queda de um homem que nunca chegou ao topo

Desistir é um ato de coragem quando a insistência causa dor. Não é o meu caso, em alguns casos.
Faço a roda girar com facilidade, convenço os genios a darem as mãos e dançar ciranda enquanto acendo a fogueira.
É o meu talento, uma assinatura galática escrita nas estrelas, e tatuada na cara de pau.
O dom de estragar tudo e foder com a porra toda quando tudo está indo bem também corre em minhas veias, e o pior, está fora de controle.
Abandonei as trincheiras, deixei para trás meus soldados que ainda estão lá me esperando.
No caminho joguei fora as armas, os sonhos, os planos..
Para caber no peito o único sentimento capaz de cessar fogo ou dar esperanças a um suicida.
Dois animais selvagens trancados no mesmo espaço por alguns minutos, livres para partir a qualquer momento foi o suficiente para querer ficar.. através das lentes da razão, via emoções e sentimentos
como raios e trovões anunciados por lampejos de cegueira catatônica, capazes de causar tempestades de loucura na vida de um homem.
E isso assusta. Girei a roda e peguei em sua mão, dançamos na chuva e mesmo molhados nossos corpos ardiam.
Relampagos anunciavam borboletas no estômago e então desistir não era opção.. Eu estava pego.
O romantismo, a putaria e a sacanagem andavam de mãos dadas, e nós estavamos todos abraçados uns aos outros.
Era o nosso verão do amor.. Surfando pelas 1001 noites em tapetes mágicos, tocas do coelho e a caçamba de um caminhão.
Já faz um tempo, infelizmente.. Muita água rolou por baixo da ponte, estamos descendo rio a baixo
afogados em dor, segurando o folego para um ultimo suspiro.
Tocamos na borda algumas vezes, mas jamais vencemos a correnteza ..
De espirito indomável, eramos ferozes e estavamos a solta. Sem horarios, calendários, inventários, honorários..
Acabamos dómesticados e dóceis como gatinhos de apartamento, dormindo no sofá da madame Rotina, cagando fora da caixa e caçando whiskas ao invés de ratos..
Mesmo sendo este caso perdido e problemático ela me cuida, me aceita, ama e odeia com a mesma intensidade.
Ela nunca quis seguir na dança, esperava  pela próxima musica para sumir entre os pares, sendo impar como é..
Dancei sozinho algumas vezes pelas ruas e calçadas, quando nossos gritos falavam mais alto que nossos corações..
Eu os odeio, os gritos. Me tiram do sério mais que qualquer coisa, ainda mais quando acompanhados de facas pontiagudas imersas em venenos letais, em forma de palavras.
Sempre voltei, e o portão sempre se abriu.. Eramos/somos (desculpe, mas não tenho certeza) bons juntos, anti-heróis loucamente apaixonados pela vida. Ela possui a joia da coroa, é o inicio e o fim do arco-iris, o tesouro em pessoa,  que mantém a roda girando e não me deixa cair.
Sempre a um passo do deslize, uma bomba relógio de alta periculosidade para mim e para os meus,
Movido a coisas proibidas e violações da lei, noites em claro, blues e solidão, ela ainda segura minha mão enquanto a roda do caos segue em sua orbita.. E minha alma, nua e crua como rascunho de versos malditos é sua, ela sabe e decifra seja lá qual besteira estiver escrita ali..
A esta hora, os notívagos e seus gostos excentricos saem de cena, se recolhem como vampiros em seus porões escuros e mofados, fugimd da penumbra e da alvorada, dando lugar aos homem honrados e suas reputações passadas a ferro quente por suas esposas, igualmente zelosas por suas aparencias, cozinhas sob medida e brinquedos da polishop.
Saio de cena com os excentricos e os estranhos, os mendigos e os viciados, as prostitutas
e os trabalhadores de carteira assinada, que dormem de dia para ganhar seu pão a noite,
aguentando todo esse carnaval de fracassados desfilando nas esquinas em fantasias que nunca levarão ao topo..









domingo, 12 de novembro de 2017

Inquietude

Sem alter ego, identidades
Como fantasma em corpo etéreo
Estou em todos os lugares
Sem nomes e sem rostos
Sou a massa dominada,
Sou o negro e o favelado
Sou a mulher assediada
Sou o moleque do semaforo
Sou o tudo e sou o nada
Sem bandeira e sem partido
Sou poeta, sou bandido
Sou o eco da calada
Sou o grito da quebrada
 Sou o cachorro vira-lata 
Minha casa, é na calçada;
Sou os artistas de rua
Sou as vozes no metro
Sou batuque no terreiro
Sou rapaz trabalhador
Terrorista e baderneiro
É quem clama por valor
Sou o salário parcelado
Que sustenta o professor
Sou as faixas e as bandeiras
Sou os blacks e os blocs
Sou as mãos incorformadas
Que atiram molotovs
Sou as bruxas não queimadas
Sou os livros proibidos
Sou ideias perigosas
Sopradas nos ouvidos..
Sou raízes sufocadas, que arrebentam as calçadas
Sou a vida sou o verde, na cidade acizentada
Sou cartazes anarquistas
Espalhados na cidade
Sou aquele busão lotado
De sonhos e de vaidades;
Sou a vida em várias formas,
Sou o próprio movimento,
Sou você a toda instante,
Sou o agora sou momento;
Sou a pulga atrás da orelha,
Sou o ideal comum,
Sou a voz na sua cabeça,
Somos todos, Somos um;























Namore uma louca!




Namore uma mulher louca e você não terá um dia de tédio em sua vida!
Mulheres loucas são como pequenos tufôes que bagunçam as coisas do lugar,
Pra não dizer tornados ou furacões quando estão inspiradas;
São fenômenos da natureza, se manifestam com impressão!
A passos rapidos se movem, são inquietas e curiosas,
São crianças brincalhonas,
pregam peças, travessuras,
Só por pura diversão;
Namore uma mulher louca, camarada;
Você a reconhecerá quando esbarrar em uma.
Ela vai olhar nos seus olhos,
Provocar sua libído,
E se retirar minutos antes
Com sabor de quero mais.
Vai ficar na sua cabeça
Como um quadro em sua moldura.
E esperar por outro encontro,
Para então lhe enfeitiçar.
Namore essa louca, essa doida esquisita
Que cruzar no teu caminho.
Ela chutará o seu traseiro,
Deixará você pra fora.
E ao mesmo tempo irá beija-lo
Sem deixar que vá embora.
Namorar uma mulher louca
É como admirar a lua.
É entender suas fases.
E sua parte obscura;
De cabelo em tom vermelho, foi beijada pelo fogo,
Corpos celestes e estrelas, estão gravados em seu corpo,
Seminua é poesia, por completo sinfonia;
Rege a orquestra de seus sonhos, com domínio e maestria!
Pra minha louca então dedico, pra minha louca então vós digo;
Loucura pouca é bobagem,
Loucura pouca é viagem..















domingo, 31 de agosto de 2014

O escritor

Certa vez li que, para ser um escritor original, deveria escrever durante 3 dias, tudo o que viesse na minha cabeça, porém se o assim fizesse, acabaria esquecido e amarelado, no fundo de uma gaveta ou uma escrivaninha velha, para somente os meus curiosos amigos passarem o tédio, certamente se os tempos fossem o da idade média seria perseguido e iria para a fogueira acusado de calúnia, personalidade doentia, e outras estranhezas das quais todo mundo tem um pouco. Indo além, poderia ser crucificado e apedrejado no caminho das pedras de jerusalém ao lado do filho de Deus, porém, eu não rescussitaria no terceiro dia. Ainda assim, escrevo dentre as linhas e rasuro em meu corpo tudo o que for`censurado e mau visto aos olhos de uma sociedade doente que acredita ter a cura para a insanidade daqueles que vivem a sua maneira.

Manifesto

vivendo o mundo pobre se conhece gente nobre
Gente que não escolhe a condição, nem quer ibope
Vítimas do artifício fictício do progresso
a evolução da espécie tomou forma de regresso
uns correm atrás do sucesso e outros do ganha pão
os olhos que enxergam o problema já não vêem a solução
Respeito e humildade formam a personalidade
está em alta, está em falta em nossa sociedade
Alternativa, porém viva, ainda existe saída
exercício para a mente é o terror da hipocrisia
senso crítico aguçado para encarar o dia-a-dia
Essa novela não é tão bela como muito se dizia
No grande mar universal somos apenas uma ilha..
O pai ao ver sua filha, com fome, vai fazê o que!?
desempregado, desamparado, vai roubar pra comer
O sistema quer te foder, ele não te reconhece
Vai virar estatística depois ele te esquece
Mente apodrece se deixarmos, resistindo venceremos
Quebre as regras, enlouqueça
Siga seus próprios termos.

Só gaúcho entende..

Chimarrão psicodélico da erva proibida
Põe na roda da amizade é sempre uma boa pedida
Dê a partida com a direita meu irmão não esqueça
Contrariando o relógio que assim permaneça
Se você não tá ligado é como a lei do duende
Ronca a cuia, ceiva a erva só gaúcho entende
A água é quente, justamente por um motivo
Ritual tradicional, cunho degustativo
Meu amigo, a semelhança por aqui não é em vão
Ambas fortalecem os laços e causa aproximação
Uma é alvo de elogios a outra discriminação
Enquanto isso eu aguardo ela chegar na minha mão
Cuia e seda tão distintas porém parecidas
Pois acolhem quando podem nossas preferidas
Matéria prima é o porongo cola ai pra vê
Não confunda o mate amargo com o tererê
Vai se envolvê, então cuidado não queima o beiço
Aquece o pelo no inverno de bate os queixo
A erva é grossa, coisa nossa, não entope a bomba
Passa a bola, passa a goma, vou descer a lomba
E nessa onda, que eu aprendi os bons costumes
Maragato ou Ximango faca de dois gumes
De perfumes bem distintos, porém nada extintos
Abre o nosso apetite nos deixa famintos
Seu cultivo é artesanal, uau, nada mal
Nordestino não conhece então paga um pau
Na moral, esse papo me encomoda
Gente que não leva a sério ou acha que é moda
Que fura a roda, ou tem boca de piscina
Vai cansar de tomar toco ai a vida ensina
Serve o chima, e da a continuação
Nessa eu saio por cima e com a cuia na mão
E os irmão, também não ficam pra depois
Põe a engorda ai na roda e bola mais dois
Pois, a chaleira ta no fogo
E na próxima mateada tamo ai de novo!

Viva!

viva as drogas, que nos deixam doidões
viva aquelas, que despertam emoções
viva as drogas, que afastam os caretas de nós
e que de nossa mente desatam os nós
viva os venenos que nos matam aos poucos
e nos mantém lúcidos nesse mundo de loucos
viva, viva a sociedade drogativa
viva, o alcool e a cannabis sativa
viva a nicotina, viva todas inas

um viva a aqueles que se matam sozinhos
e não matam os outros com seus espinhos
um viva aos problemas e as soluções
aos altos e baixos e as quatro estações
um viva ao sopro do vento no ouvido
como um estilhaço de fá sustenido
um viva a nós, belas aberrações
que vivemos a vida em todas proporções.